CUBO: PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS

A Associação Rural de Ajuda Mútua (ORAM), representada por Abel Saínda e Roberto Mineses, visitou na manha de hoje, dia 16 do mês em curso, a comunidade de Cubo no Distrito de Massingir, província de Gaza.

A visita tinha como finalidade efectuar uma auscultação aos residentes daquela comunidade, para aferir o ponto de situação ou o nível de soluções que estão a ser tomadas para acabar com o conflito de terra existente entre a população de Cubo e a Twin City Ecoturismo Lda, empresa concessionada pouco mais de 70 mil hectares.

Em mais de uma hora, o encontro que contou com a presença de líderes, representantes de associações locais e singulares, na qual foram levantadas muitas questões derivadas da falta de vedação de uma parte do espaço concessionado, facto que leva, segundo os moradores, alguns animais bravios, como por exemplo leões a atacarem o seu gado e outros felinos a devastar culturas.

Além disso, surgirão outras questões relacionadas a visita do ministro da Terra e Ambiente, Celso Correia à aquela comunidade, no passado dia 30 de Agosto do ano corrente, na qual prometeu resolver o conflito entre a comunidade e a Twin City Ecoturismo Lda. Promessa que, segundo os intervenientes, não foi comprida até os dias de hoje. Mesmo tendo reportado ao ministro as consequências que a falta de vedação provoca a população da aldeia.

Lembre-se que a quando da cerimónia de inauguração de uma instância turística denominada Balule Lodge, situada numa comunidade vizinha de Cubo, foi possível notar a ausência do líder comunitário de Cubo bem como dos membros da Associação Tlarihane va ka Cubo como forma de expressar o seu descontentamento em relação a não resolução do conflito homem – fauna bravia instalada naquela zona residencial do distrito de Massingir.

Sublinhe-se que para além dos 70 mil hectares que a Twin City Ecoturismo Lda explora, a mesma pretende ocupar mais 3 mil hectares de terra, uma área denominada vale de Xilalane.

Uma situação que esta levantar tumultos dentro da comunidade, uma vez que a área que se pretende ocupar, a população explora para a pratica de agricultura, pastorícia e pesca, como forma de se sobrevivência.

De acordo com uma nota de reportagem na posse da ORAM, no dia 30 de Agosto de 2017, o Ministro da Terra e Ambiente, Celso Correia, falou perante cerca de 400 pessoas, entre mulheres, homens e crianças, que nenhum investidor esta autorizado a apoderar-se da terra da comunidade sem o consentimento desta. Sublinhando que a Twin City-Ecoturismo já foi intimada a colocar a vedação, no perímetro da fazenda onde esta não existe. Acrescentou que, caso a empresa demore, o Governo irá vedar, a partir de Outubro passado.

“De facto o Senhor Ministro falou sobre o problema que estamos vivendo com a Twin City, prometendo que no dia 10 do mesmo de Outubro voltaria novamente com soluções, mas as promessas pareceram-me ser falaciosas, porque até hoje nem água vem nem água vai. E não nos agrada esta situação meus senhores” – relatou Tomas Alssau Mungue membro da comunidade de Cubo.

“Mas acima de tudo, estamos a pedir que o governo não nos minta, se pretende falar algo que fale a verdade. Porque vieram até aqui as entidades da administração com um documento para assinarmos, mas lido o documento percebemos que de facto não se tratava daquilo que combinamos com o governo. Afinal a terra de quem é? Não é nossa?” Acrescentou e indagou Tomas Mungue.

Não há nada que não si faz por dinheiro

A demais, Alí Albino Francisco, também expos a sua preocupação destacando a promessa do Ministro da Terra e Ambiente, Celso Correia. “o que nos inquieta é facto de estarmos a falar da mesma coisa durante muitos anos. Pois, em 2009 vieram com investidores que regem esses assuntos e quando negamos a proposta disseram “não há nada que não se faz por dinheiro, querendo ou nãos iremos construir” e de facto compraram e construíram – Contou Ali Francisco.

“Quando o ministro veio no dia 9, disse que os problemas serão solucionados e no dia 10 viria novamente, mas a verdade é que estamos demasiado cansados de falar disso. Nós não aceitaremos entregar 3 mil hectares, porque temos aqui as nossas plantações, criamos os nossos negócios, encontramos remédios, cortamos a lenha e alimentamos os nossos animais” – sublinhou a nossa fonte.

Ao longo do debate os intervenientes de Cubo pediram que o governo devolve-se as terras bem como o gado que foi abatido pelos animais bravios, cumprindo desta forma com o acordo celebrado.

Em entrevista, a presidente da associação Tlarihane va ka Cubo, Cecília Alione Cubai, instou o governo a dialogar com a Twin City de maneiras a que possa vedar os locais onde foram colocados os animais bravios. “ Iremos ser comidos pelos crocodilos, pois ao invés de saírem da água e atacar o gado, acabaram por atacar a nós” apelou Cecília Cubai.

 

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